Textos Acidentais

[ Domingo, Abril 15, 2007 ]


"Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas." (Lester Burnham, Beleza Americana. Arrepio só de pensar na filosofia de vida que isso representa)

Comprei o DVD de Vanilla Sky. Sim, é controverso, mas eu gosto. E daí?!

Sabe quando você se sente o cara mais sacana (no bom sentido) do mundo por alguns segundos? Então.

Bem vindo a um Novo Mundo
Uma festa de primeira. Foi a impressão que teve quando chegou àquela suntuosa mansão. Era o aniversário de um dos mais importantes diretores da empresa.
Estava bem. "Uma boa apresentação é fundamental", dizia o manual de Relações Empresariais Informais, best-seller escrito pelo irmão do presidente do grupo. Terno preto, gravata vinho com detalhes dourados, camisa branca. Elegância era uma palavra comum naquele meio social.
Pegou sua taça de champanhe de uma entre tantas bandejas fartas que lhe eram oferecidas. Com toda polidez possível, distribuía sorrisos e cumprimentos a todos que encontrava. Em especial para o homenageado da noite, é claro.
Muito tempo se passou até que aquelas pessoas de índole inabalável começassem a entregar sua própria natureza, em virtude do álcool ou de quaisquer outros alucinógenos tão secretos quanto o que cada um realmente pensava do outro.
Cansado daquele incessante cair de máscaras, afastou-se da multidão e caminhou furtivamente, com taça em mãos, para os fundos. Deparou com uma piscina adornada de chafarizes e cercada por um jardim que parecia projetado em um sonho. Uma estranha aparência celestial.
Ali ficou: de pé, aproveitando sua individualidade, ouvindo gemidos vindos de trás de moitas escuras e sorvendo longos goles de uma bebida que já não sabia definir qual era. Percebeu o contraste existente entre os desaforos rotineiros no escritório e as loucuras da juventude.
- Pago com sexo e indulgências - disse olhando para toda aquela estrutura.
Não era capaz de dirigir, mas resolveu ir para casa escrever sobre aquele festival de pobreza de espírito. Como odiava aquele mundo!
Deu meia-volta e, antes que pudesse dizer qualquer coisa, topou com uma importante executiva do grupo completamente fora de si. A única coisa que pôde fazer foi consentir em caminhar, tendo sua mão puxada, em direção a mais uma entre tantas moitas.
- Um quarto não seria mais confortável?! - tentou contornar a situação.
- É verdade. Mas isso é o de menos. O que importa é a garantia de seu futuro profissional. Não é mesmo?
- Como quiser...

PS.: Obrigado Kubrick.

Pink Floyd - Money
"Money, it's a crime.
Share it fairly but don't take a slice of my pie.
Money, so they say
Is the root of all evil today.
But if you ask for a raise it's no surprise that
they're
giving none away."

Manifeste-se!
RAPHAEL BANDEIRA LEMOS, às 00:21

[ Sábado, Abril 07, 2007 ]


"A criatividade não escolhe parâmetros gramáticos." (Um louco que pensa ter encontrado o outro pé de seu tênis "boladão")

A vida vai bem, obrigado.

Reviravoltas Acidentais
- Sente-se, meu nobre amigo. Junte-se a nós na cantoria de versos embaraçados! - feito o convite.
Aceita sem maior relutância. Há uma situação interessante no recinto. Fora o ambiente do bar, extremamente acolhedor, a facilidade com que sorrisos são distribuídos lhe chama atenção.
Copos estão espalhados pela mesa. A fumaça de alguns cigarros não chega a incomodar. Pessoas vêm cumprimentá-lo, empolgadas pelo repentino aparecimento de um ilustre conhecido.
Brincadeiras se assanham com o passar das horas. Ele fica, de alguma forma, satisfeito pela sinceridade observada nos rostos já deformados pelo efeito do álcool. Há cumplicidade, afeto e... Bebida!
- Mais cerveja, garçom! - escuta alguém clamar enquanto leva um tapa camarada nas costas..
Quando todos se vão, deixa o local e caminha lentamente de volta para casa pensando sobre o como a vida noturna reserva surpresas até para quem menos espera.
"De perto, ninguém é tão normal", já dizia uma conhecida de percepção semelhante.
- Ela tem razão.

Filosofia de boteco: "cavalo marinho é um bicho esperto: finge que é peixe só para não puxar a carroça!"

... Acorda no início da manhã. Está frio. Espreguiça em frente à enorme janela de vidro liso do apartamento no décimo andar do prédio. Observa o lento despertar da cidade.
Volta a olhar para a cama e contempla a perfeição daquele corpo despido de qualquer timidez. "É uma garota fantástica".
- De agora em diante as coisas serão mais simples...

Legião Urbana - Antes das Seis
"Daqui vejo o seu descanso
Perto do seu travesseiro
Depois quero ver se acerto dos dois
Quem acorda primeiro"

Manifeste-se!
RAPHAEL BANDEIRA LEMOS, às 21:55

[ Domingo, Março 18, 2007 ]


In the air I flew
Through the clouds I fall
Through the country I've walked
In front of temples I've stood
Before the ocean I pray
And I said your name

In the air I flew
Through the clouds I fall
And all the things I've tried to say
Were never easy to explain
They were always meant for you

And all the memories that were made
For years and years
I've chased this day
They were always for you
Always for you

In the air I breath
Through the clouds I see
Through the cities I've walk
In the castles I dreamed
On the mountain I climb
When I call your name

In the air I flew
Through the clouds I've fell
And all the things I've tried to change
Were never easy to contain
They were always meant for you
(always for you)

And all the memories will never fade
For years and years
In my heart you'll stay
It was always for you
Always for you
Always for you

And all the pieces that remain
They will build a place for us to stay
They were always meant for you
(always for you)

And all the chances that we take
For years and years
We'll have this place
They were always for you
Always for you

The Album Leaf - Always For You



Até a próxima.
Manifeste-se!
RAPHAEL BANDEIRA LEMOS, às 20:09

[ Sábado, Fevereiro 17, 2007 ]


"Você percebe que está ficando velho quando deixa de chamar os outros na rua de 'Moço' e passa a ser chamado assim." (Raphael Garcia, um grande amigo. Para ter uma sacada dessas, tinha que se chamar Raphael, né? E com PH!)

Cidades realmente são como formigueiros.

É bom rever amigos depois de longos intervalos de tempo.

O que é o passado?

Lembro-me bem de uma passagem que tive pela cidade de Três Marias, no estado de Minas. Era um clube náutico legal. Com gente nova e descontraída. Tenho lembranças muito boas daquele lugar. Fora a beleza, aquilo mexeu comigo de uma forma um tanto estranha já que, por causa da juventude, não compreendia ainda o meu vício por paisagens e associações entre fotografias e memórias.
Um dia, levaram-me para conhecer um conjunto habitacional construído pelos donos da represa que havia no local para seus funcionários. Eram boas casas. Padrão "americano": térrea, com vasta garagem, jardim e janelas grandes.
O local estava abandonado porque era de difícil acesso e todos preferiam viver na cidade. Aquele condomínio completamente vazio, de guarita fechada e empoeirada, no alto de uma colina, com vista para o enorme lago, despertou minha curiosidade. Não sei se foram as folhas quebradiças espalhadas pelo chão, as teias de aranha que se formavam em qualquer canto, ou mesmo a brisa fresca daquele lindo dia em que o sol aparecia entre árvores nuas. O que de fato sei é que essa visão completamente vazia de significado fez alguma diferença para mim.
Boas lembranças visuais que me deixam orgulhoso. Diz uma sua?

Uma complementação interessante ao assunto acima foi a sensação que tive esta semana, no trabalho. Estiquei-me na cadeira e comecei a viajar, olhando para o teto. Pensei como devia ser estranho ver um prédio antigo, há muito tempo vazio, onde antes pessoas haviam trabalhado, vivido ou feito qualquer outra coisa... E agora só sobrava um tijolo sobre o outro.

Saybia - The Day After Tomorrow
"But I crash in my mind
whenever you are near
getting deaf, dumb and blind
just drowning in despair
I am lost in your flame
it's burning like the sun
and I call out your name
the moment you are gone
Tomorrow
(say it all tomorrow) I'll say it all tomorrow
(say it all tomorrow) or the day after tomorrow
(say it all today) I'm sure I'll tell you then"

Manifeste-se!
RAPHAEL BANDEIRA LEMOS, às 18:44

[ Domingo, Janeiro 28, 2007 ]


"Em um minuto sou o senhor do seu destino e o demônio de sua alma, aquele que aprecia a dúvida e se faz contemplar da indagação." (Raphael, um cara que se preocupa mais em lhe confortar pela não compreensão de um dizer do que em explicá-lo)

"Ever dance with the devil baby? Oh no
Make my day
Do you feel lucky? Oh no
Tomorrow's another day
Can you walk on water maybe? Oh no
Turn water into wine?
Can I buy you a drink there lady? Oh no
Can you tell me another lie?"


Stereophonics - Devil (tive que fugir ao padrão em virtude dos gritos desse sem vergonha)

Ultimamente tenho tido lapsos de gargalhadas bizarras esdrúxulas e sem sentido. Alguém aí explica?

... E as olheiras estão à la Christian Bale em O Operário. Faz parte... Torçam para que eu tenha noites de sono decentes até encontrá-los na próxima oportunidade! Haha!!

Cotidiano (é, bem vindo ao mundo da pirataria)

Em frente à minha casa há uma lanchonete. Por mais que eu nunca tenha feito um lanche sequer ali, o recinto desperta minha curiosidade: tem o formato de um cachorro-quente.
Nessa lanchonete trabalha uma Moça. Traços sutis, cabelos lisos e gestos introvertidos. Fica ali, servindo e jogando conversa fora com os conhecidos que passam. Não são poucos!
Você, caro leitor, deve imaginar: "como esse sujeito repara na vida dos outros!". Não é bem isso. De tempos em tempos gosto de ir à janela, observar o movimento na rua, e tentar perceber como está o humor do dia. Que culpa tenho eu se aquela garota rouba minha atenção como se toda a avenida fosse só dela?!
Ao contemplar a paisagem, (como um todo, não só a Moça) sinto-me como um desses compositores da bossa nova a divagar sobre o cotidiano, as mulheres e a música. Tudo de uma só vez. A diferença é que eu não tenho talento musical e me perco tanto em pensamentos que, ao término da viagem, não me recordo de como aquilo tudo começou.
Mas o assunto em questão é a Moça!... Que moça?!

Chico Buarque - Cotidiano
"Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã"
Manifeste-se!
RAPHAEL BANDEIRA LEMOS, às 19:25

[ Domingo, Janeiro 14, 2007 ]


"A vida é uma flor bela demais para ser regada a lágrimas de sofrimento." (Raphael, o cara cuja vida é um álbum de fotografias aleatórias)

14:45

O insuportável ponteiro dos segundos indica mais que o simples passar do tempo. É a representação de uma morte lenta.
Um homem aguarda qualquer acontecimento na cama do quarto de hospital enquanto observa os móveis limpos e a vida passando lá fora em um dia cinza e atarefado no formigueiro com que se parece a rua cheia de pessoas apressadas.
Agora procura entender a situação: pensa os últimos dias que passou antes de ser internado e percebe a total ausência de sentido em suas preocupações. Não fez absolutamente nada que valesse a pena. Não se lembra da última vez em que contemplou sua mulher nos últimos meses.
Espera que os médicos dêem um jeito em sua condição, o que a cada hora parece mais improvável. A família lamenta, mas ainda tem esperanças de uma boa notícia dos "guerreiros de branco".
Uma enfermeira entra no quarto e, quão nobre sua função, sorri amistosamente para o homem distraído. Ele a chama e pede que se aproxime. Em frente aos incontáveis aparelhos, conta a história de sua vida.
Muito tempo passa entre gargalhadas e lamentações: as piadas do primo trapalhão na praia, o aborto da esposa, a formatura do único filho. De tanto lembrar detalhes que imaginava haver esquecido, passa a se sentir melhor e mais completo.
A moça se retira com uma despedida cortês. Encosta do outro lado da porta e se perde em pensamentos. Ele vira o rosto e contempla o entardecer através da janela de vidro liso - "por que nunca comprei uma dessas?"
Passados alguns dias, o homem não resiste e "vem a óbito". Os membros da família, finalmente reunidos, choram de tristeza e saudade. Mas a despeito de todos os revezes, o sujeito de nossa estória não teve o triste fim que imaginava: ao contar sua história para a doce enfermeira, pôde perceber que, afinal de contas, não havia sido tão mal assim, apesar de se despedir precocemente. Fora um bom homem e deixara sua mensagem. Isso basta para concluir que foi uma vida admirável. Como jamais deveria deixar de ser.

Stereophonics - Rewind
"It's your time
It's your day
It's never too late
To change lanes
How's your life?
How's your place?
Was it where you wanted
Your head to lay?

But wait, you can breathe
You can see what I can see
Don't waste your time
You can't make back

If you could rewind your time
Would you change your life?

Do you like you?
Do you love your wife?
Or did you pick what
You're told was right?"
Manifeste-se!
RAPHAEL BANDEIRA LEMOS, às 14:39

[ Sábado, Dezembro 30, 2006 ]


"A causa real da maioria de nossos grandes problemas está entre a ignorância e a negligencia". (Goethe)

A avenida para qual me mudo não poderia ter nome mais feliz: independência.

É incrível o fato de a vida poder ser observada como uma grande coleção de fotografias durante todo o dia. Enxerga-se a realidade por novos primas verdadeiramente reveladores. Fantástico!

O Dilema da Águia

Voa a Águia sob o céu azul. O retrato da força, do domínio, da segurança. Definitivamente, há poucas criaturas com tamanha expressão.
Mas ela sabe que alguma coisa está errada. Já não possui a força, os reflexos e a disposição de sempre. Um delicado momento se aproxima.
Costuma-se dizer que na vida de uma águia, há um momento em que ela deve decidir se permitirá que viva mais tempo ou então que definhe até a morte. Caso queira viver, precisará se recolher a uma caverna. Lá, arrancará pena por pena, garra por garra, e, por fim, o bico. Passará fome, sentirá dor... Cabe somente a ela decidir se a vida vale tamanho sacrifício. É o momento de colocar na balança tudo aquilo que foi vivido até então.
A poderosa Águia lamenta tal situação, mas procura não pensar nisso no momento. Prefere desfrutar sua liberdade e as sensações dela decorrentes.
- Lá está uma lebre... - mergulha no ar para mais um ataque mortal... A presa escapou.

Legião urbana - Metal Contra as Nuvens
"É a verdade o que assombra
O descaso que condena
A estupidez o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes
O corpo quer, a alma entende
Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resitir
Eu quero a espada em minhas mãos"

Manifeste-se!
RAPHAEL BANDEIRA LEMOS, às 17:26

[ Domingo, Dezembro 03, 2006 ]


"Pensa-se hoje na revolução, não como maneira de se solucionarem problemas postos pela atualidade, mas como um milagre que nos dispensa de resolver problemas." (Simone Weil)

A menina balança na gangorra da vida, pra lá e pra cá. Sacode as finas pernas e fecha os olhos, sentindo o vento soprar seus cachos loiros. Pensa o que vai ser quando crescer.
- Vou dar a volta ao mundo. Ah se vou!
Alguém duvida?

Bolero Subversivo

A barulhenta máquina de escrever toca sua música na madrugada nebulosa. Entre sonhos e trepadas, um homem tecla incessantemente a sinfonia revolucionária da razão.
São textos diversos concebidos entre um gole e outro no fino copo de uísque. A fumaça do cigarro dança no ar conforme o caos musical que se impõe na sala fragilmente iluminada pelo abajur consumido pelo tempo.
Os dizeres sobre páginas e mais páginas amareladas não são nada inocentes diante da situação que se vive. Se for descoberto, algo além da máquina será apreendido. Mas está convicto: "é isso que este estado merece!"
Os óculos remendados por uma fita vêem um despertar violento do povo. Os olhos por trás dele não enxergam salvação.
Este homem de tantas glórias e infortúnios, de tantos aplausos e insultos, sabe o que faz. Mais do que na reação do povo, acredita em sua capacidade persuasiva para convencê-lo. Uma canção proibida toca em baixo volume na vitrola.
Termina o trabalho. Vai até a cozinha, acende o fogão e queima página por página. Deita em sua cama, tranqüilo, sabendo que, se não foi o líder de uma revolução, pelo menos exercitou seu senso crítico escondido sob uma máscara social sem personalidade. Feliz contentamento com uma nobre demonstração de "coragem".

Doves - One of These Days
"Your friends they were so close
One by one they didn't stay
Drift away like a rolling sea
One by one they drift away
One of these days"

Manifeste-se!
RAPHAEL BANDEIRA LEMOS, às 14:52

[ Sábado, Novembro 18, 2006 ]


"Ninguém ainda sabe se tudo apenas vive para morrer ou se morre para renascer." (Marguerite Yourcenar)

O Rio

A porta da taverna se abre abruptamente. Por ela sai um homem de vestes largas e escuras, completamente embriagado, andando a passos lentos e tortos sobre a pequena escada barulhenta de madeira. A neve e o vento gelado dificultam o caminhar, mas há uma obstinação espantosa em seu olhar.
Atravessa um caminho de árvores de escassas folhas quebradiças e chega a uma rocha que se eleva sobre o rio de correnteza intranqüila devido ao choque de cristais de gelo que começam a se formar.
O piso é escorregadio, mas o homem consegue se equilibrar. Observa o longo caminho traçado pelo rio e vê o vale abaixo se fechar de maneira convidativa e, ao mesmo tempo, assombrosa.
Em pé, com o olhar perdido no horizonte, relembra todas as pessoas que passaram por ali e compara com o que restou: um lugar desgraçado.
- O que eu posso fazer agora senão continuar? - lamenta de maneira conformada.
Abre a garrafa mais uma vez, sabendo que não vai durar muito tempo assim. Ameaça voltar para o acolhedor fogo da lareira, mas se aborrece ao lembrar dos homens ébrios a vagar sem perspectiva naquele lugar esquecido pelos deuses.
Instintivamente, relaxa o corpo e avança de maneira suave ao encontro do rio semicongelado. A correnteza bravia o recebe de braços abertos. Em seu último suspiro antes de ser tragado pela água fria, deseja saber apenas uma coisa: aonde o rio o levará.

Sentenced - The River (texto fortemente influenciado pela música)
"What can I do now except continue
and open a bottle once more
What can I do now except see this through
and float with the stream, off the shore
- see where the river will take me"

Manifeste-se!
RAPHAEL BANDEIRA LEMOS, às 21:04

[ Quinta-feira, Novembro 02, 2006 ]


"A liberdade de imprensa é talvez a liberdade que mais tem sofrido pela degradação da idéia da liberdade." (Albert Camus)

O que é mais bonito após a eleição? O nobre reconhecimento de cada candidato derrotado.

Aos que tanto praguejam a grande mídia
Sabe quando, de repente, você é acometido por uma estranha sensação de revolta? Pois é, despertou em mim um distinto cinismo capaz de infligir sérios danos...
Vira e mexe, em curso de comunicação principalmente, tem gente reclamando da grande imprensa: manipuladora, sensacionalista, bairrista... Enfim, um verdadeiro arquétipo destrutivo.
Às vezes me pergunto se alguns carismáticos cidadãos dizem isso simplesmente por dizer, afinal, é o que se espera de um futuro jornalista inundado de idealismo (superficial) certo? Como se fosse para ganhar uma bala da doceira ou aplausos de acadêmicos igualmente saturados. Que diferença faz?
Este texto não é uma defesa aos meios de comunicação de massa, mas uma crítica feroz ao comportamento preguiçoso com que se trata o assunto por aí. Contra a verdadeira massa de acéfalos que fingem obter algum sublime conhecimento por apenas se sentarem em uma cadeira universitária, como se adquirissem informação por osmose, isto sim o alvo de meu desprezo.
O ingênuo distanciamento entre o povo "ignorante" e a juventude verdadeiramente alienada em princípios que desaparecem à primeira oferta de emprego, posto que ideologias não pagam contas, é irritante.
Mas o que fazer para desacelerar o envenenamento das mentes iniciadas em discursos vazios? Incitar o embate diário com a notícia leviana, com a informação tendenciosa, com a omissão culposa.
Particularmente, considero os que disparam aleatoriamente contra a mídia simples covardes incapazes: primeiro, por não se induzirem a reflexões profundas sobre o assunto; segundo, por temerem se deixar seduzir por uma matéria bem construída, com belas imagens e palavras competentemente distribuídas.
O embate se ilustra na audiência de telejornais, leitura de editoriais maquiados e de artigos que camuflam posições políticas acentuadas. É assim que se reconhece quem identifica o que é manipular, tender, omitir. É assistindo que se avança para uma compreensão real sobre o que é o "monstro" da grande imprensa e como suplantá-lo.
Eu também tenho sonhos e eles não se resumem a um cheque polpudo no fim do mês.

Pink Floyd - Another Brick in The Wall (Part II)
"All in all you're just another brick in the wall"
Manifeste-se!
RAPHAEL BANDEIRA LEMOS, às 19:38